sábado, 23 de março de 2013

Entrevista à Clara Correia

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1.    De onde vem a sua paixão pela escrita?
Penso que está, e esteve desde sempre, muito ligada ao meu gosto pela leitura, aliás como é habitual acontecer, na maioria dos casos. No entanto, reconheço que os anos de “apogeu” das minhas leituras foram os da infância e adolescência, em que já escrevia, de vez em quando. Com a vida adulta, outras responsabilidades de vária ordem empurraram a leitura e a escrita para 2º ou 3º plano. Sempre escrevi mas, ultimamente com muito mais regularidade porque, conscientemente, decidi retomar algumas actividades de que sempre gostei e que andaram “adormecidas”, talvez pelos compromissos e rotinas da vida prática.

2.    Quais são as suas influências literárias?
Não sei, conscientemente, responder. Independentemente do autor, de certeza que sou influenciada por qualquer texto escrito num estilo claro, equilibrado, rico em recursos expressivos pertinentes, versatilidade na narrativa e que transmita um excelente domínio da língua … acho que só assim é possível aliar eficazmente simplicidade e criatividade.

3.    Como é que gere a sua vida pessoal com a sua escrita?
Muitas vezes, com alguma dificuldade, não só com a vida familiar e pessoal mas, principalmente, com a vida profissional; frequentemente, planeio ocupar uma hora diária para escrever e, como professora, trago trabalho para fazer em casa e, nesse caso, tenho de lhe dar prioridade.


4.    Porque é que escolheu que a acção se desenrolasse numa cidade pequena?
Escolhi como cenário da acção uma vila piscatória porque se impunha que, pelas condicionantes do protagonista, fosse um local pacato e, por outro lado, sendo eu natural da Nazaré, outra terra de pescadores, tive logo uma fonte de inspiração para a caracterização de algumas personagens.


5.    Qual foi a sua personagem preferida?
Gostei particularmente de criar as de Tiago Murraças e Otília Laranjo, talvez por terem os traços mais marcantes, positivos ou negativos.

6.    Qual foi a personagem que mais lhe custou a criar?
Penso que talvez tenha sido a de João Pirico … adequar o seu comportamento e reacções às especificidades da personagem, que se afastam da norma. Eu estava bastante limitada ao tencionar atribuir-lhe um papel com alguma relevância no enredo, mas julgo que acabei por encontrar uma maneira credível de tornar importante a interacção dele com o protagonista, no auge do suspense.


7.    Como é que acha que se adaptou ao género romance?
A escrita de um romance é muito mais exigente do que qualquer outro género, dentro da ficção, no aspecto de ter de se fazer quase um guião prévio com o respectivo “elenco” de personagens; acredito que haja autores que não precisam de planear dessa forma, mas é assim que me oriento, porque assim é muito mais fácil terem-se as “rédeas” da trama, mesmo que, por vezes, continue a ter-se a sensação de que algumas personagens ganharam vida própria.



8.    Como tem sido a resposta do público?
A resposta dos leitores, a que me tem chegado desde a edição do livro, há 7 meses, tem sido para mim a melhor possível … eu não tinha nenhuma expectativa à partida, nem positiva nem negativa, pelo que tem sido muito gratificante receber elogios ao meu 1º romance vindos de leitores que não conhecia antes nem eles a mim … além, claro, do apoio de alguns amigos que para mim são muito importantes; agradeço a todos eles. Esse tipo de reacções incentiva-me ainda mais a continuar mas também aumenta a minha responsabilidade.

9.    Tem participado em várias antologias, pode falar um pouco sobre elas?
Agradeço à “Pastelaria Estúdios Editora” a oportunidade que me tem dado de ir divulgando a minha escrita através dos desafios que propõe periodicamente aos autores, levando-os a participarem nesse tipo de projectos que são as edições das colectâneas de contos, cada uma sobre um determinado tema; participei na “Ocultos Buracos” (Terror e/ou Insólito) e na “Beijos de Bicos” (Histórias de Amor). A convite da “Chiado Editora”, a quem também agradeço, participei recentemente na antologia de poesia “Entre o Sono e o Sonho”, e em Abril próximo participarei na antologia “Poesia sem Gavetas”, da “Pastelaria Estúdios Editora”.

10. Está para lançar um novo livro, quer levantar um pouco o véu?

O meu objectivo é concluí-lo até ao final deste ano. Já tem título, “Teias movediças”. Em comum com “Segredos da Praia das Camarinhas”, tem o facto de ser outro romance-thriller; os locais da acção e as experiências de vida das personagens são quase o oposto dos do 1º romance, na medida em que se movem num espaço urbano.
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